quarta-feira, 27 de junho de 2012

As semelhanças e diferenças do teatro grego para o atual teatro

   Os gregos nos são, até os dias de hoje, uma constante referência, tanto do ponto de vista artístico quanto do ponto de vista filosófico e, sem dúvida alguma, do sistema social, que hoje nos é quase impossível de compreender em função de tamanha desestrutura que passamos, principalmente no que diz respeito à ordem do pensamento que está em vigor.
   Muito ao contrário dos gregos, uma boa parcela do nosso teatro atual, não revela mais as questões de ordem social. O teatro hoje está envolto por uma camada de anestésicos que visam falar do homem e seus conflitos interiores. Obviamente a sociedade de hoje está muito longe de ter princípios semelhantes aos gregos, porém, as obras das tragédias gregas ultrapassaram os séculos justamente por não se aterem a falar dos psicologismos das personagens, evitando assim, que o teatro se afastasse do censo de coletivo original. Os espetáculos na atualidade, por uma questão de ordem econômica, e de esvaziamento cultural, estão cada vez mais reduzidos no que diz respeito ao elenco. Assim, ao longo da história, o que era para os gregos o personagem principal: o coro, composto por muitos, hoje, muitas vezes, é apenas um ator em o palco nu. Toda a infra-estrutura ligada as apresentações, desde a acústica até o posicionamento dos acentos inspirou os teatros que temos hoje.
   Com a chegada da “Missão Francesa”, no governo de D. João VI, instalou-se a primeira escola de Artes do Brasil, que tratou de preocupar-se apenas com o ensino das artes plásticas, além de ter trazido e imposto todo o molde francês para esta. De lá pra cá, é clara a percepção de que todas as estruturas de ensino de artes se deram somente através das artes plásticas, hoje, artes visuais. A própria instauração das faculdades de artes, ou melhor a antiga Ed. Artística, tinham seus conteúdos quase que integralmente voltados para artes plásticas, e uma ou outra cadeira voltada à música e ao teatro. Hoje, já temos disponível no país algumas faculdades de teatro que ainda estão nos seus ajustes em função de sua jovialidade. O teatrista de hoje precisa ficar passível de uma transformação muito grande, e zelar ao máximo por sua formação integral como homens e mulheres pertencentes a esse mundo. Não falamos em tentar fazer um teatro grego, que era o teatro e a cidade, mas tentar enfrentar sua formação como a única coisa capaz de modificar seu ato, e a construção do seu objeto espetacular, quando o indivíduo se transforma, todo seu contexto se modifica.
   Em tempos como os de hoje, longe da antiga Grécia, mais que grandes produções, mais que salas fechadas, mais que o fortalecimento de personalidades, necessitamos de apuração de caráter, mais que a cópia, precisamos de ações concretas e verdadeiras de transformação. 

3 comentários:

  1. Está muito bom até aqui, só pelo para verificaram a formatação da página (a margem direita está cortado parte do texto em algumas postagens).

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  2. Eu queria as semelhanças entre os dois

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