Os gregos nos são, até os dias
de hoje, uma constante referência, tanto do ponto de vista
artístico quanto do ponto de vista filosófico e, sem dúvida
alguma, do sistema social, que hoje nos é quase impossível
de compreender em função de tamanha desestrutura que passamos,
principalmente no que diz respeito à ordem do pensamento que está em vigor.
Muito ao contrário dos gregos,
uma boa parcela do nosso teatro atual, não revela mais
as questões de ordem social. O teatro hoje está envolto
por uma camada de anestésicos que visam falar do homem
e seus conflitos interiores. Obviamente a sociedade de
hoje está muito
longe de ter princípios semelhantes aos gregos, porém,
as obras das tragédias gregas ultrapassaram os séculos
justamente por não se aterem a falar dos psicologismos
das personagens, evitando assim, que o teatro se afastasse
do censo de coletivo original. Os espetáculos na atualidade, por uma questão de ordem econômica, e
de esvaziamento cultural, estão cada vez mais reduzidos
no que diz respeito ao elenco. Assim, ao longo da história,
o que era para os gregos o personagem principal: o coro,
composto por muitos, hoje, muitas vezes, é apenas um
ator em o palco nu. Toda a infra-estrutura ligada as
apresentações, desde a acústica até o posicionamento dos acentos
inspirou os teatros que temos hoje.
Com a chegada da “Missão Francesa”,
no governo de D. João VI, instalou-se a primeira escola
de Artes do Brasil, que tratou de preocupar-se apenas
com o ensino das artes plásticas, além de ter trazido
e imposto todo o molde francês para esta. De lá pra cá,
é clara a percepção de que todas as estruturas de ensino
de artes se deram somente através das artes plásticas,
hoje, artes visuais. A própria instauração das faculdades
de artes, ou melhor a antiga Ed. Artística, tinham seus
conteúdos quase que integralmente voltados para artes
plásticas, e uma ou outra cadeira voltada à música e ao
teatro. Hoje, já temos disponível no país algumas faculdades
de teatro que ainda estão nos seus ajustes em função de
sua jovialidade. O teatrista de hoje precisa ficar
passível de uma transformação muito grande, e zelar ao
máximo por sua formação integral como homens e mulheres
pertencentes a esse mundo. Não falamos
em tentar fazer um teatro grego, que era o teatro e a
cidade, mas tentar enfrentar sua formação como a única
coisa capaz de modificar seu ato, e a construção do seu
objeto espetacular, quando o indivíduo se transforma,
todo seu contexto se modifica.
Em tempos como os de hoje,
longe da antiga Grécia, mais que grandes produções, mais
que salas fechadas, mais que o
fortalecimento de personalidades, necessitamos de apuração
de caráter, mais que a cópia, precisamos de ações concretas
e verdadeiras de transformação.
